27 janeiro 2008

Esperança solitária



Restam-me esses esparsos raios de luz, que de olhos cerrados imagino… Cansada do trilho percorrido onde a espera é constante… Vejo-te ao longe e pergunto porquê?
Horas vagas também elas cansadas de irem passando…
Teu ser, intocável na tua tolerância a este mundo que te prende, amarra… Verás um dia meu olhar? Saberás um dia reparar nesta demência constante em que me embalo, pelos teus escassos sorrisos?

Espero, nesta minha solidão… Um dia olharás para mim…

26 janeiro 2008

À tua imagem...



Ainda recordas esses passos que demos outrora?
Sente que a brisa por ti passa, sente que a vida respira em ti…
Enquanto meu sopro não enfraquecer, terás em mim a tua juventude, pois com o requinte do teu olhar bebi por esse cálice sagrado as sábias palavras que guardo…
Recorto cada momento, cada suspiro e quando nessas complexas páginas paira a névoa e o desassossego de mim, respiro, escuto, revejo… És esse vulto intocável!

Delicadamente, ouso então, reservar-te esse paraíso em mim e em teu canto pincelo o sal das tuas lágrimas que não vi, a solidão desse ser que pressinto… Espero… O meu dia chegará…
Ocuparei também esse lugar?

26 novembro 2007

Comodismo...

Questão sem dúvida relevante é o comodismo da vida, como uma roda gigante onde pagamos para entrar, vibramos quando finalmente alcançamos o topo e sofremos na descida... e depois quando a viagem acaba tiramos as nossas conclusões.
Fica sempre a ideia que valeu pela expriência, pelo meio assalta-nos a ideia de que se poderia ter alterar umas pequenas coisas mas no fim achamos sempre que voltariamos a fazer tudo da mesma maneira.

04 novembro 2007

Confusa...


Necessidade de parar por momentos... sentir o respirar do tempo... pensamentos de fúria e agressividade, sinto com rapidez e angústia de quem tenta libertar-se das malhas da rede que a sufoca... anseio a calma, o sossego de um sono profundo... já não sei o que digo... as janelas agitam-se ao sabor do vento... silêncio...

11 julho 2007

Contagem...

Vivemos constantemente em contagem decrescente para qualquer coisa… nove meses para nascer, seis anos para entrar na escola, depois mais alguns para a puberdade, ansiamos pelo primeiro beijo, pelo primeiro amor, a primeira desilusão, o primeiro ordenado e a primeira contagem para a reforma… pelo meio para uns casamentos e filhos para outros apenas a vida vivida ao sabor do vento… depois aparecem os cabelos brancos, as primeiras rugas, o acumular dos sonhos perdidos, o peso nos ombros, o horizonte mais perdido, o passo mais lento e a sombra clareando…

04 junho 2007

Segundo...

Se a vida fosse um livro, haveria um destino escrito, concreto, um percurso delineado com causa e consequência e um final anunciado… mas a vida podendo ser um livro, não o é, porque as vezes, a vida acaba num segundo…
Para muitos esse segundo é mesmo um segundo, mas para outros, muito pouco outros, é um vulto que não se volta a ver, um som que se perde na memória, uma dor que nunca mais acaba…
Não se pode acabar assim num segundo… mas… e se vivermos a vida inteira e não houver ninguém a nossa espera para chorar esse segundo…

02 junho 2007

Voltei...

Sempre que penso em ti um sono profundo prende-me as ideias de todos os gestos, as sensações dos meus sentimentos escondem-se na minha alma...