31 Janeiro 2010

Igualdade...


Por quanto tempo podemos viver assim, vagueando pelo deserto de paisagens afectivas pessoais escondidas do mundo?

Os tempos mudam e precisamos de mudar com eles…

Precisamos parar de fugir, de viver nas sombras, temos que ser mais fortes, mais audazes…

O problema porém é que... há poucos de nós capazes de se revelar e opor resistência a dogmas e tradições…

Mas o nosso destino é sermos grandes, por isso precisamos de aumentar a nossa coragem para que os mais novos não tenham o mesmo fardo com que nascemos.

Vagueámos como nómadas merecendo uma casa numa terra prometida.

Hoje aleitando raízes e construindo uma vida deixamos de ser apenas uma comunidade… vivemos livres… e no final de cada dia e em cada regresso, não vaguearemos mais…

Estaremos, finalmente... em casa… nesta planeta que é de todos.

13 Janeiro 2010

Momentos...

Há um momento em cada caminho, onde tudo se muda, um momento quando o caminho se une a algo, assim como as alianças em linhas de batalha que mudam de lado, e as normas de compromisso são reformadas.

São esses momentos que podem mudar a natureza da batalha e mudam as coisas para um dos lados. Quando isso acontece, fazemos o que podemos, para entendê-los. Tentamos ao máximo estar prontas para às mudanças, fortificamos os nossos corações, contemos os nossos medos, juntamos as nossas forças, e procuramos por sinais nas estrelas.

Mas o que motiva essas mudanças no caminho... permanece um mistério, é quase como o destino da mão invisível, que move as peças no tabuleiro da vida.

Não importa o quanto nos preparamos para elas, o quanto resistimos às mudanças, antecipamos o momento, lutamos pelo resultado inevitável.

No final, nunca estamos realmente preparados, quando isso se defronta.

07 Dezembro 2009

sem sentido...

Será que todas as pessoas solitárias comungam de uma característica comum, sei lá do género de serem oriundos de um mesmo secreto lugar no mundo?

Eu acho que não, as pessoas solitárias são aquelas que vivem para os outros, ignoram as próprias necessidades e procuram encontrar a sua própria paz na alegria dos outros, chegam mesmo a ignorar os amigos e família, apenas pelo bem-estar dos outros… afinal não falo de pessoas solitárias, falo sim de pessoas apaixonadas… sim, uma pessoa apaixonada e uma pessoa solitária, e não há nada no mundo que nos faça sentir mais sós que o final de uma paixão, é que ficamos apenas nós mesmas… transformamo-nos numa autêntica ilha e o segredo para resistir é quando alguém faz alguma coisa e nesse instante sabemos que não estamos sozinhas…

03 Novembro 2009

... Deixemos somente...


Deixemos num sopro o imenso turbilhão da existência de ser…
Deixemos num sorriso a mágoa da melancolia…
Deixemos num beijo o agreste de toda a raiva…
Deixemos num abraço a frieza da insensibilidade…

Deixemos um tudo de nada,
Deixemos a vida… Deixemos somente…

O tempo passa e nada resiste…

28 Outubro 2009

Dor...

Ao longo da vida colhemos muitos ensinamentos para combater a dor mas muitos poucos que nos ensinam a desfrutarmos da vida...

Sabemos praticamente reconhecer todas as formas de dor, sofrimento mental, aflições, perdas, arrependimentos, enfim definições que nunca mais acabam. Na verdade são apenas definições que raramente são válidas.

A dor não é comum nem sofre sempre da mesma origem, umas vezes é pela vida, outras pela perda e outras ainda pela mudança.

E quando sentimos que a dor é extremamente forte, só nos resta lembrar que a qualquer instante tudo pode mudar.

09 Outubro 2009

Sentidos...

O céu é húmido e fresco neste final de tarde abandonada, aberta a todas as vozes, que instante perfeito de coragem para receber um aviso de uma verdade primordial. O tempo não passa por mim, é de mim que ele parte. Por agora o tempo não existe.

Como imaginar o futuro? Quantos anos ainda me esperam? Que caminhos desertos ou de companhia me esperam? E o passado que posso ver nele do que me sinto, me sonho, me alegro ou me sucumbo? O meu futuro será este instante desértico, ou será tudo aquilo que me projecto.

Lembro-me da minha infância, de tudo o que me ofendeu ou sorriu, o que sou vem daí e sou eu ainda agora ofendida ou risonha, a vida é cada instante, cada eternidade onde tudo se reabsorve.

Sou agora irremediável como a absurdez de uma pedra. O que sonho mal é um sonho porque o espero violentamente, o desejo na experiência do meu corpo. Terei pois como destino esta agitação constante de nada? Será pois uma ilusão o termo da minha luta esse termo que eu me invento talvez só para a dignificar? Sei o que quero, porque eu sei o que desejo, mas pode a vida não sabê-lo, a vida também sou eu, o que ignoro de mim amanhã também é a minha vida. De que segredos se resolve uma vida? De que pressões, obstáculos, sacrifícios?

Aquilo de que falo está dentro de mim, sou eu... se algum crime houve em mim, foi só o de ter nascido.

01 Outubro 2009

Divagações...

Habitualmente estamos sempre a espera que apareça alguém que nos diga qualquer coisa para nos fazer sentir melhor porque este é provavelmente o caminho mais curto e menos doloroso para sentir mais cor na vida e no amor…

Mas na vida e no amor também é preciso sentir a dor, e é isso que nos faz especiais, que nos faz mais bonitos que nos valoriza…

imaginem a dor com que amamos…

vem sempre acompanhada de esperança, sim esperança…

e a verdade é que no meio dela, podemos passar por alguns lugares…

agonia…

optimismo…

fé…

mas o que importa mesmo é nunca perder a noção que somos humanos, temos vida…

e isso é efectivamente tudo o que nós temos….

para dar e receber…