09 janeiro 2016

Caminhos...


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. 
Basta-me pensar nas oportunidades que se escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perderam por medo, nas ideias que nunca saíram do sonho por essa maldita mania de viver no imaginário. 
Pergunto-me, às vezes, o que me leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença de certas palavras quase que sussurrados. Sim confesso que por vezes me sobra covardia e falta coragem para tentar ser feliz. Talvez porque a paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai, talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada e o tudo. 
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao meu alcance, na verdade há coisas que não podem ser mudadas e nesse caso, resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. 
Prós erros… há perdão. 
Prós fracassos… novas oportunidades. 
Prós caminhos... passos para o percorrer.




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