13 maio 2009

Para ti...

Hoje falo para ti… sim para ti… os sonhos vão muito para além do que sentimos e pensamos, o sonho não é o que vivemos quando dormimos mas sim o que criamos com a nossa imaginação diurna.
Será que os sonhos ficam sem destino quando não é possível materializá-los ou sequer compreende-los totalmente?
Quando sonhamos na noite, ultrapassamos a realidade dos objectos das coisas mas quando sonhamos de dia atribuímos-lhe outro valor real além do valor aparente e a maior parte das vezes surgem-nos assim de repente duma maneira totalmente nova…
Hoje, agora, neste instante, atrevo-me a lembrar o sonho…
Não sei se outrora estava indecisa entre o céu e a terra… mas hoje tu és a minha inquietação e a minha esperança.
As vezes, apelo ansiosa ao meu anjo implorando e quase exigindo que ele me assista nos meus desfalecimentos de ânimo e nos meus rasgos de vaidade, sem demora e sem piedade e imploro que encontre a noite interior da incerteza da dúvida e da angústia da alma… e nesse instante tudo se resolva, tudo se defina e em tudo se encontre paz…

Fica a certeza que de tudo o que há-de vir nasce a esperança e de tudo o que passou nasce a saudade…
Hoje vi o sol assim envergonhado e escondido nas nuvens indecisas
entre a pureza do branco, a brandura do cinzento e o terrível do preto…

11 maio 2009

Cansaço...

O céu é húmido e fresco neste fim de tarde abandonada, aberta a todas as vozes, que instante perfeito de coragem para receber um aviso de uma verdade primordial… O tempo não passa por mim, é de mim que ele parte…
Quero imaginar o futuro…
Quantos anos ainda me esperam?
Que caminhos desertos ou de companhia me esperam?
E o passado que posso ver nele do que me sinto, me sonho, me alegro ou me sucumbo?
O meu futuro será este instante desértico, ou será tudo aquilo que me projecto.
Lembro-me da minha infância, de tudo o que me ofendeu ou sorriu, o que sou vem daí e sou eu ainda agora ofendida ou risonha, a vida é cada instante, cada eternidade onde tudo se reabsorve…
O que sonho mal é um sonho porque o espero violentamente…
Terei pois como destino esta agitação constante de nada? Será pois uma ilusão o termo da minha luta esse termo que eu me invento talvez só para a dignificar?
Sei o que quero, porque eu sei o que desejo, mas pode a vida não sabê-lo, a vida também sou eu, o que ignoro de mim amanhã também é a minha vida.
De que segredos se resolve uma vida? De que pressões, obstáculos, sacrifícios?
Aquilo de que falo está dentro de mim, sou eu...
se algum crime houve em mim, foi só o de ter nascido.

04 maio 2009

Poderia...

Poderia matar-te esta noite… e depois choraria o quê?
A tua morte seria demasiado fugaz, não seria satisfatória.
Ir-me-ia faltar algo…
O prazer da dúvida e da incerteza.
Ainda te espero, aguardo paciente, um último golpe, o mais profundo.
Aquele que irá juntar as lágrimas outrora silenciosas ao soluçar desmesurado da dor total.
E onde reside esta dor magnânima e prepotente?
Em mim…
É em mim que residem, suspeitos estes sentimentos exacerbados e explorados ao limite.
Afinal admito, é assim que sobrevivo, apenas com sentimentos extremos.
Só a dúvida te fará permanecer dentro, em mim.
Sou demasiado complicada para ti…
Olho-te e vejo uma massa disforme ansiosa de ser moldada…
Pediste-me um livro para descodificar códigos e acessos e eu entreguei-te mas não me dei a mim…
Mas eu falei para ti…
Com a alma nos olhos e o coração, traduzindo em palavras indecisas e incertas como as aparições da lua…
Tudo pendente do tempo… As vezes, fui tua em breves olhares… mas dar-me a ti… como?
Se nem eu me tenho!

28 abril 2009

Solidão...


A solidão dói quando é aceite…
quando finalmente nos rendemos ao seu dissabor e encantos, quando num último suspiro aceitamos o seu abraço…
então sim a solidão dói…
por nada mais lutamos ou desejamos…
hoje só me apetece fugir da vida e de tudo o que ela envolve…
os compromissos, as relações, as obrigações, os objectivos, o quotidiano…

fico nesta apatia, nada me perturba, nem agita ou incomoda…

20 abril 2009

Vens...

Sonhei com um pássaro á janela com grades de algodão, tão suaves e macias que seria talvez pecado tentar atravessá-las…
Sonhei ainda que era rainha das ondas… do céu eterno… e da penumbra dos mais tristes… e porém senti-me inferior…

o desespero das encruzilhadas dos trilhos desconhecidos…
o adeus e o arrependimento….
A solidão reconfortante….
a escravidão das palavras que deixamos fugir…
a posse das palavras por dizer…

Hoje quero ir ver o mar, mas quero a tua companhia…
vens comigo ver o mar?

09 abril 2009

Paz...

Admito e reconheço uma falta de coragem que me enoja ao aperceber-me da causa… a solidão que tanto aprecio começa a assustar-me…
Tenho no entanto uma decisão tomada, se neste cruzamento tiver que optar entre o caminho da esquerda ou o da direita, não serão os factos passados que me irão ainda ajudar a decidir…
Ignoro ambas as saídas e sigo um outro rumo… sozinha é certo, mas assim mais leve, porque este peso na consciência é que me está a matar aos poucos…
Esta tristeza é que me consome e torna assim insensível e desesperadamente trivial…
Sinto-me indefinida, dominada por uma bipolarização de sentimentos, desejos, emoções distantes e opostas, como a noite do dia, que fazem no entanto parte de um mesmo ciclo. Completam-se, quase consigo encontrar duas pessoas que habitam em mim…
Mas são algo difíceis de distinguir, não é tão relativo quanto o bem e o mal… antes fosse…
Hoje confessaria tudo… confessar? Não como quem confessa que pecou… eu não pequei…
Esta sede incomoda-me a alma… sinto-me desidratada e não encontro a fonte de calor que me seca e consome…
Quero ter coragem, abrir bem a boca, encher o peito de ar e gritar a minha individualidade… deixar de vez estes sentimentos que me proíbem de viver a independência com a liberdade que me cabe de errar se assim tiver de ser…
Sufoco…
Começo a capitular…
Quero paz…

03 abril 2009

Sentir...

As coisas tem sido diferentes para mim...
já algum tempo que eu dou comigo a pensar em ti....
muito mesmo ultimamente...
será que algum dia me irás perdoar...
Por pensar assim tanto em ti...
"É um caminho louco,
anda às curvas,
anda talvez em círculos.
Que vá por onde quiser,
eu segui-lo-ei"
(Siddartha)