09 outubro 2009

Sentidos...

O céu é húmido e fresco neste final de tarde abandonada, aberta a todas as vozes, que instante perfeito de coragem para receber um aviso de uma verdade primordial. O tempo não passa por mim, é de mim que ele parte. Por agora o tempo não existe.

Como imaginar o futuro? Quantos anos ainda me esperam? Que caminhos desertos ou de companhia me esperam? E o passado que posso ver nele do que me sinto, me sonho, me alegro ou me sucumbo? O meu futuro será este instante desértico, ou será tudo aquilo que me projecto.

Lembro-me da minha infância, de tudo o que me ofendeu ou sorriu, o que sou vem daí e sou eu ainda agora ofendida ou risonha, a vida é cada instante, cada eternidade onde tudo se reabsorve.

Sou agora irremediável como a absurdez de uma pedra. O que sonho mal é um sonho porque o espero violentamente, o desejo na experiência do meu corpo. Terei pois como destino esta agitação constante de nada? Será pois uma ilusão o termo da minha luta esse termo que eu me invento talvez só para a dignificar? Sei o que quero, porque eu sei o que desejo, mas pode a vida não sabê-lo, a vida também sou eu, o que ignoro de mim amanhã também é a minha vida. De que segredos se resolve uma vida? De que pressões, obstáculos, sacrifícios?

Aquilo de que falo está dentro de mim, sou eu... se algum crime houve em mim, foi só o de ter nascido.

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