09 setembro 2005

Quietude...


Eu já desejei não amanhecer e não raro fiz de conta que o escuro do quarto nas janelas fechadas sob a cortina, significava noite escura. Ignorava os ruídos da casa: estava presa nos meus próprios silêncios, na minha vida particular que não estava com vontade de viver...

08 setembro 2005

Preguiça

Hoje deu-me a preguiça de acordar de manhã e suportar o resto da existência, mas achei melhor fingir que não era comigo e levantei-me com a cara igual a de todos os dias... Desconfio que as horas estão meio difíceis de passar, parece que o relógio está com algum defeito e vai daí invento um monte de coisas para empurrar o tempo...
Temo que ande a inventar vida...

06 setembro 2005

Aqui...

Escrever as vezes é triste... Porque impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras vão-se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida acontece não só com bombas e catástrofes, mas também em dádivas da natureza... a lua a esconder-se do dia… o sol deitado no horizonte… o céu ora azul ora cinzento ora cor de fogo…
Sim também eu quero ser sempre melhor, mas melhor do que sou e não melhor que os outros.

05 setembro 2005

Ser...

Ser uma coisa é ser objecto de uma atribuição. Pode ser falso dizer que uma árvore sente, que um rio corre, que um poente é magoado ou o mar calmo (azul pelo céu que não tem) é sorridente (pelo sol que lhe está fora). Mas igual erro é atribuir beleza a qualquer coisa. Igual erro é atribuir cor, forma, porventura até ser, a qualquer coisa. Este mar é água salgada. Este poente é começar a faltar a luz do sol nesta latitude e longitude. Tudo vem de fora e a mesma alma humana não é porventura mais que o raio de sol que brilha.

04 setembro 2005

Agora

A minha mente desenha o brilhante astro do dia, mal os seus primeiros raios dissipam as trevas que cobrem o horizonte, ou como a primavera, depois de um rigoroso Inverno, leva atrás de si o louco rebanho dos doces zéfiros, e imediatamente, tudo se modifica sobre a Terra, um colorido mais brilhante embeleza as coisas, e a natureza rejuvenescida apresenta, aos nossos olhos, um espectáculo mais agradável e mais risonho…
(estará isto tudo na tua mente, Petra? huummm...)
Espera… tu não queres que vejam o que tens na mente, pois não?
Sim… compreendes agora… quem és tu?

02 setembro 2005

Palavras...


Falarei sempre por palavras em primeira mão... porque essas, sei que serão cobertas de verdade, sentimento... não são censuradas por mim...
Será real este mundo de palavras, reflexos no espelho infiel do dicionário?

01 setembro 2005

Correspondências

Hoje a tarde cai monótona e sem chuva, num tom de luz desalentado e incerto... e eu também me sinto assim... caindo. Sinto uma tristeza profunda…
Escrever as vezes é triste...